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Resenha do Livro "Theus: do fogo à busca de si mesmo"

Em cento e noventa e uma páginas, Fabrício Viana, autor de Theus: do fogo à busca de si mesmo (1ª edição), consegue exprimir uma gama de reações ao leitor que vão desde o desapego pela personagem principal a uma melancolia muito bem delineada e extremamente cativante. Este é um livro que conta a história de Júnior (batizado como Prometheus; ou então, chamado de Theus por seu grande amigo Gabriel), um rapaz que tem dramas do passado que pesam até o presente em sua mente. Morador do interior paulista, ele acaba indo parar em uma fazenda que faz a "cura gay" logo após uma grande desavença com seus pais depois que eles descobrem sobre sua homossexualidade. Lá, Júnior se depara com outra vertente da história e descobre que homens religiosos não é sinônimo de perfeição e nem mesmo de pureza; pelo contrário, descobre que os pastores evangélicos (a religião que parece ser relatada no livro) são grandes mentirosos, abusadores sexuais de menores e ainda homossexuais enrustidos,...

Amo mais que brócolis

Não sei como foi nascer. Aliás, acho que essas coisas não têm explicações. Acontecem, né?!... Acontecem... E, realmente, aconteceu! Eu me deitei em um lindo verão e acordei apaixonado num inverno cinzento... Onde, quem sabe, apenas uma luz brilhante provinda do fogo da minha alma, mantida pelas labaredas do meu coração, fazia com que ela permanecesse acesa, e que poderia me fazer feliz durante toda aquela estação fria e sem indícios de vida. Realmente foi de surpresa. Dizem que quando não esperamos é melhor; a surpresa é fascinante. E neste caso, foi mesmo, FASCINANTE!

Ventos

Hoje os bambuzais balançam em ritmos desordenados Gotas caem em força cinética e arrebentam Sons de trovões ressoam a milhas Uma catástrofe poderá acontecer Hoje as folhas dulcícolas sobressaem sem rumo Enterram-se à poeira que forma monges esculpidos A natureza agita-se  em grunhidos Uma catástrofe virá intercorrer.

Sentimento

Nem se eu quisesse apagar, apagaria Nem se eu quisesse esquecer, esqueceria Nem se eu quisesse destruir, destruiria Nem se eu quisesse matar, ele morreria... A distância traz a tristeza O vento, a leveza O que nem sempre nos treina à destreza. Eu choro em lágrimas secas de dor E desfaço mundos de despedidas mal-formadas Assuntos que me vêm à mente e sensações desprovidas de sentidos Eu murcho os lábios inferiores e uma gota molda-se em meus olhos São tantos sentimentos envolvidos, que mal percebo qual deles é o maior Talvez não exista; talvez eu apenas sinta e sinta sem saber o que sinto e caio no abismo Numa serra, Serra do Mar E depois eu imagino seus olhos e seu toque e noto que eu preciso disso cada vez mais  São momentos de desiquilíbrio em minha alma São distorções do que eu vivia, do que acreditava São sentimentos que surgem sempre quando não precisamos deles São destemores involuntários... Eu choro duas, três, quatro vezes até que mi...

TRI- ÁS-SI-CO

São encantos que a vida nos dá... Emoções que nos destoam e nos prendem Suspiros avulsos que percorrem o sistema Que me deixam deveras aquém da compreensão humana. São dúvidas latentes e persistentes São ensaios e mutações fantásticas Grunhidos de Centrossauros esquecidos. É a relva macia que nos aboleta São sons de Pterossauros nos cercando Frutos do mato quicando São vulcões ativos em chamas. Eloquentes e demasiadamente enrubescidos Coração saltitante e feroz Com boca seca a percorrer os ouvidos A estimular, talvez, todos os sentidos.

Sentado

Um caminhão passava, o ronco do motor acelerado deixava para trás apenas uma sacola plástica que com certeza fora despida de mãos humanas, e com ela uma mútua sombra empoeirada subia deixando o lugar inóspito. À beira da estrada numa cadeira de área estragada faltando algumas cordinhas estava sentado um homem que não parecia ter vida.  Ele olhava atentamente o horizonte. Tudo era seco e opaco, a poeira levantada sentava-se nele e ali ambos permaneciam unidos. Estático. O olhar congelado chamava atenção das pessoas em um veículo e outro que passava ali de hora em hora. Achavam-no estranho.

O que eu faço, agora?

Nunca vou saber ao certo o que guarda o coração. Nem mesmo saberei o que ele tende a exalar... Ressalvo, o coração é uma bomba; são dois átrios e ventrículos, os quais nos mantém aqui, em pé, em uma estatura distinta, em uma posição ereta. Porém, minha alma anda deitada, contorcida, espatifada num pedaço do azul celeste. E mais que eu faça, por mais que tente é interessante sentir a presença imponente de alguém ao meu lado. O que o coração esconde? Ele não esconde, nós o façamos esconder... Nós criamos imagens de proteção, criamos símbolos, ideias e ilusões que jamais serão sentidas se não nos permitirmos a viver, a ter, a atuar ativamente nos momentos únicos que a vida nos dá.