sexta-feira, 26 de junho de 2015

O que eu faço, agora?

Nunca vou saber ao certo o que guarda o coração. Nem mesmo saberei o que ele tende a exalar... Ressalvo, o coração é uma bomba; são dois átrios e ventrículos, os quais nos mantém aqui, em pé, em uma estatura distinta, em uma posição ereta. Porém, minha alma anda deitada, contorcida, espatifada num pedaço do azul celeste. E mais que eu faça, por mais que tente é interessante sentir a presença imponente de alguém ao meu lado. O que o coração esconde? Ele não esconde, nós o façamos esconder... Nós criamos imagens de proteção, criamos símbolos, ideias e ilusões que jamais serão sentidas se não nos permitirmos a viver, a ter, a atuar ativamente nos momentos únicos que a vida nos dá.

Viva sempre que der, viva mais que puder, viva sem deixar feridas, viva em alegria; faça amizades, faça amores, faça tudo que o seu coração desejar. Faça, aconteça, pertença e não se desfaça. Não se ruí o que se constrói; se reforma... Reformule-se, mas não se destrua. Não tire as estacas primordiais. Não! Elas não!
Pode ser que a vida pregue peças, pode ser que a vida seja cênica, mas protagonize, antagonize, seja principal, seja você, seja em tudo que for, seja em tudo que não for, seja mesmo em qualquer momento, em qualquer simples atitude... seja...
Não que ser seja fácil, ser requer energia, requer mais que uma simples atitude... Olhe as árvores e tente exaltar nelas o ser que as pertence e as energizam, e se transforme em pétalas de rosas aderentes em receptáculos florais capazes de aguentar ao mais forte dos ventos. Isso pode ajudar...
Olhemos o mar, os lagos, o sal dos rios, o doce das praias, o verde do céu, o marrom das pessoas, o preto dos olhos, a alma do inanimado, os seios dos homens, a barba feminina, a poeira de Saturno, a vida da morte... Olhemos o estranho e entenderemos que o que mais importa não são os semelhantes, são os diferentes, são os seres que fazem de nossos dias mais estranhos e psicodélicos. São estes que nos farão ver a verdadeira matriz dos olhos, a verdadeira ideia do que é sentir, do que é pertencer a este mundo... Mas também serão eles quem nos farão respirar fundo; nos debruçar em montanhas de areia fina e sairmos insanos procurando uma companhia, um abraço, um beijo, um carinho... Serão eles... Serão eles... Somente eles que te farão isso. E logo você se perguntará... O que eu faço, agora?


2 comentários:

  1. Simplesmente adorei o texto!!! O importante é mesmo viver, ser feliz, independente dos obstaculos e até porque essa vida é única e se tem algo que precisamos aprender, está entre as aventuras e olhares intrigantes. beijos querido

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