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Quero flertar

Ele passa Meus olhos o acompanha Aquele seu jeito único Aquela camisa mal abotoada Aquela calça apertada, Seus dentes flamejantes Seu rosto bravejante. Aboleto-me no sofá Ainda meus olhos o cerca Uma barba rude Um braço forte delirante Um lábio rosado Mãos que me são utópicas Sua voz contagiante Ah, eu o quero...

Insônia

Deito, 23:30 Olhos abertos 23:45 Verifico o despertador 00:05 Balbucio uma frase Ele passa e vai Mas as horas não perdoam Esvaem em segundos Acompanho com a face amassada O Tic-Tac desenfreado 1:30 2:30 3:30

Velhice

Grisalha, Velha e cabelo de seda Torta, coluna desviada Quase morta, Semienterrada. Põe uma vela na janela Grisalha e velha Porque o tempo passou E mais nada sobrou Além da experiência esquecida.

Uma surpresa

Ele: Oi... Ela: Oi, amor, tudo bem? Ele: Só com saudades. Você está na faculdade? Ela: Não, estou cozinhando... Já te disse que minha aula sempre começa as dezenove horas. Ele: Mas, amor, já está quase na hora, você vai se atrasar. Não era para você já estar lá? Ela: Por isso que estou fazendo tudo muito depressa... Estou numa atropelação danada aqui. Ele: Estou atrapalhando?

INSPIRAÇÃO

Inspiração? Uma rosa, uma janela Um cravo ou canela Uma bermuda, ou uma porta Um ventilador, ou uma torta Um jantar, um recado Um amor, ou um pecado Uma vidraça, uma cortina Um anel, ou uma neblina Um carro, uma pessoa

Numa cadeira rosária

Uma poesia para despertar os mais profundos sentimentos e reflexões. Sintam a personagem em busca do amor, idealizando um parceiro, a triste ilusão de uma carta de amor, dos dedos cruzados, rezando para que a vida lhe desse um romance real. Você está nesta situação? Sentada numa cadeira Nem alegre, nem triste Uma lembrança, uma escolha Olhava as palavras Não as lia, só as observava. Sentada numa cadeira Nem feliz, nem melancólica Um devaneio, uma recordação Olhava as pestanas,  Observava as mundanas Tudo sem escrúpulo e mal ajeitado.

O que dizer de João de Barro de Maria Gadú?

E o que dizer dessa música maravilhosa de Maria Gadú? JOÃO DE BARRO Todas as vezes que a ouço, deito-me em meus devaneios Alusões são infalíveis em minha mente As paixões ressurgem num compasso desenfreado As promessas se esvaem, nada mais me importa. Encontro-me deitado, numa palpável dor sem motivo Talvez uma loucura, uma insanidade de minha mente Me acarreta numa impassiva e contagiante melancolia Tudo isso acontece quando ouço esta música, Esta simples e maravilhosa canção  Que me deixa de queixo no  chão Que me fez até construir rimas, rimas estas Que expressam os sentimentos quando a ouço Mesmo que tamanha seja a dor... TODAVIA...