sábado, 25 de outubro de 2014

Uma surpresa


Ele: Oi...
Ela: Oi, amor, tudo bem?
Ele: Só com saudades. Você está na faculdade?
Ela: Não, estou cozinhando... Já te disse que minha aula sempre começa as dezenove horas.
Ele: Mas, amor, já está quase na hora, você vai se atrasar. Não era para você já estar lá?
Ela: Por isso que estou fazendo tudo muito depressa... Estou numa atropelação danada aqui.
Ele: Estou atrapalhando?

Ela: Não, querido.
Ele: Eu acho que estou. Vou desligar, depois nos falamos.
Ela: Por que isso agora?
Ele: Isso o quê?
Ela: Você está com outra, Rafael?
Ele: Não estou entendendo... Outra? Outra quem?
Ela: Sei lá, você nunca quis desligar na minha cara.
Ele: Alice, eu não ia desligar na sua cara, eu te avisei que desligaria para não te atrapalhar.
Ela: E eu te disse que você não estava me atrapalhando. Não me leva a sério?
Ele: Nossa, Alice, hoje você está complicada. TPM?
Ela: Por que vocês homens sempre acham que o mal humor é resultante da TPM?
Ele: Amor, só estou perguntando... Das vezes que te vi brava ou descontrolada foram por conta da TPM!
Ela: Agora eu sou descontrolada, Rafael, é isso?
Ele: Não foi isso que quis dizer, amor, calma.
Ela: Calma? Eu estou calma. Rafael, eu sempre fui sincera com você, e você?
Ele: Eu também sempre fui sincero com você. Não entendo esta reação.
Ela: Você me trai... está com outra mulher... tenho certeza. E ainda me pede calma...
Ele: Que outra mulher, Alice? Só tenho olhos para você.
Ela: Pare com este discurso cafajeste, Rafael. Conheço bem seus papinhos.
Ele: Alice, realmente hoje não dá para conversar com você.. Te ligo mais tarde.
Ela: Está bem, Rafael... Ligue quando quiser, me deixe a escanteio, jogada às baratas,  às moscas...
Ele: Pare com este drama!
Ela: Drama? Nossa, Rafael, você está me irritando, pare com isso, você!
Ele: Eu?
Ela: Sim. Estou cansada, tendo de fazer comida e você ainda abusa do meu estado psicológico.
Um rápido silêncio.
Ele: Ok, anjo... Fique tranquila, peço desculpas. Eu te amo.
Ela: Ai, amor, jura que você me ama?
Ele: Juro por esta rosa que seguro na mão.
Ela: Que rosa, Rafael?
Ele: Esta aqui do seu lado...
Olhou pro lado, viu o semblante do homem que a amava.
Ele: Eu acho que hoje você não vai à aula.
Riram serenamente e se beijaram.


                                            

Porque é gostoso ser surpreendido com uma boa surpresa. O prazer em ser lembrado enaltece o coração.



2 comentários:

  1. Lindo texto, empolgante, dramático e bem surpreendente! Adorei, grande abraço Bru

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Luna! Que legal seu comentário, obrigado... Abração.

      Excluir