sábado, 23 de maio de 2015

PORQUE EU TE QUERO TAMBÉM...

Como já me defino como escritor LGBTT e lutador pelas causas, abaixo um trecho de um conto que poderá ser parte de uma antologia futuramente.

Obs. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


PORQUE EU TE QUERO TAMBÉM...


Uma boca carnuda; uma barba rala que me espinhava suavemente; uma noite de corrida; uma suposta brisa e eu ali, nos teus braços, nos teus lábios, no teu corpo, no teu peito — delirante. Um hálito puro e acalentador, por mais inóspito que fosse. Adorei. Cueca — duas cuecas. Dois seres embriagados a uma só explicação: atração. Eu, fundamentado no hábito de um enraizamento delirante de algo que nasceu comigo, de que me faz intrínseco; a mais pura essência humana.
Pus meus olhos em você, e me fiz em teu beijo, no teu cheiro, no teu abraço — aliás, delirantes! Fiz-me embriagado. Beijamos! Nos apalpamos. Nos acalentamos. Seus toques eram selvagens e ao mesmo tempo inspiradores — carinhosos. Resvalos e afagos excitavam-me de uma maneira inexplicável. Amor. Começávamos a fazer amor. Num rompante, seu sexo me tocava e eu podia explodir de tão orgânico que estava. Dilacerava. Contagiante.
Uma música linda de Nando Reis — Luz dos olhos — iniciava e eu já me enchia de emoção, uma que só àquela me trazia; e junto ali de ti, fiz-me capaz de uma das maiores expressões do amor: sexo, sexo, sexo, sexo... Um estopim de carícias que deram à noite as estrelas mais lindas — as que eu encontrei em teus braços.
Sem nenhuma deixa de preocupação, deitava-me sobre seu corpo, sobre seus laços e me deixava levar, porque da vida a única expressão desvairada que levamos é o prazer. Prazer... Foi exatamente isso que seus gemidos me acarretavam. Amei. Foi amor; foi sexo; foi beijo; foi eu e você.
Num colchão improvisado, numa casa improvisada, numa vida sem rumo, mas com toda a certeza de que lembranças ficaram — permaneceram —, eu adormeci contigo, em seu calor, em sua respiração facunda e gostosa. E agora, eu arrepio todas as vezes que me lembro, e me faço de esperanças, que talvez um dia a de te ver de novo, para repetirmos esta noite raptada em seus laços. Percebo o quanto eu cresci depois daquele dia, depois daquele maço de emoções e revelações.
A única coisa de que eu mais me lembro é de memorizar as frases... "E eu te chamo, eu te peço: vem...". Foi bom...


Este texto foi inspirado na linda canção de Nando Reis "Luz dos olhos".




5 comentários:

  1. A música...as palavras, um encanto!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico feliz que tenha gostado, minha linda! Obg ;)

      Excluir
  2. Emocionante e nem encontrei as palavras para descrever a emoção...mas fica aqui essa sensação que o texto trouxe para mim.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelo lindo comentário, Luna! Bjo grande!

      Excluir
  3. Até parece que foi algo vivido, e creio que deva ter sido... ;)

    ResponderExcluir