segunda-feira, 13 de abril de 2015

Resenha do livro: O armário (4ªed.)

Livro: O armário: vida e pensamento do desejo proibido (4ª ed.).
Autor: Fabrício Viana

Entre e saiba mais do livro e da vida deste militante gay!


Produzido pela Editora Orgástica e com um material de qualidade, o livro O armário: vida e pensamento do desejo proibido do escritor e militante gay Fabrício Viana, é uma ótima opção para quem quer conhecer um pouco mais sobre o processo de entrada e saída do armário; entender quais as causas que levaram a nossa sociedade a ser exatamente da maneira como é hoje: homofóbica e machista.
O livro é dividido em duas partes: na primeira ele relata de maneira muito explícita e orgânica toda a sua trajetória como homossexual; seus desejos internalizados, suas angústias, sofrimentos e descobertas. Fabrício é formado em bacharel em Psicologia e mora atualmente com seu marido na grande capital, São Paulo.

A primeira parte do livro nos revela dramas que são comuns a todo homossexual, o processo de se autoconhecer, de se entender, de se ver como algo que a sociedade não espera, e de que a sociedade ainda não compactua. De maneira bem sutil e interessante, o autor nos narra sua história em primeira pessoa e dá aspectos íntimos sobre sua vida, fazendo-nos conhecer e se familiarizar ainda mais com o mundo gay. Os relatos das boates frequentadas, dos outros homens por quem ele se interessou, o primeiro beijo, a primeira relação sexual, o próprio preconceito internalizado (a homofobia internalizada), os desejos e o machismo que inteiram a sua personalidade quando jovem, nos dá a noção de que é preciso combater as informações deturpadas que existem a respeito dos homossexuais.
Ainda na primeira parte, é relatado o drama de contar ou se assumir aos pais, a fase do medo e da entrega aos desejos que sempre pareceram ser proibidos e que precisavam ser externalizados. Um aspecto muito interessante diz respeito a maneira como gays já assumidos e que vivem bem com sua homossexualidade influenciam os que ainda não são assumidos ou que estão vivendo as neuroses de um armário fechado a sete chaves.
O autor termina sua trajetória nesta parte, relatando seu último casamento com outro homem (ele deixa claro que é gay), e que vive hoje um relacionamento estável e feliz.
A segunda parte faz referência a estudos psíquicos que Fabrício vem fazendo há anos e que, no meu ponto de vista como resenhista, são de muita importância na construção de argumentos e entendimento da homossexualidade, por ela ser tão julgada e marginalizada atualmente.
O medo é relatado como sendo intrínseco ao ser humano, e que por conta dele as pessoas não conseguem se assumir; porém, como sabemos, o medo não é gerado do nada, ele tem uma causa, uma que está explícita: o machismo, a sociedade tradicional, acarretando numa verdadeira neurose de que os desejos homossexuais são proibidos.
Dentre os temas abordados nesta segunda etapa do trabalho de Fabrício, podemos ressaltar: a desmistificação da masturbação; a sexualidade nas escolas (que eu julgo ser de extrema importância, já que a escola é um meio social em que a construção da identidade sexual do indivíduo está sendo formada); a família que não gosta ou não quer dar informação aos próprios filhos sobre o sexo, pois não tem conhecimento e a tradicionalidade não os deixam fazê-la; a história da condenação, em que é relatado e aprofundado a história da homossexualidade e como ela se tornou algo tão negativo; a questão da religião que está extremamente envolvida no processo de marginalização da comunidade LGBTT, já que aquela é extremamente alienante a ponto de conduzir o ser humano a ficar preso no armário por muito tempo; o papel das instituições de ensino superior em transparecer o assunto aos graduandos e ter a capacidade de fazer permear estas informações aos demais; a desconstrução do conceito de família perfeita e dos bons costumes, pois família não é sinônimo de perfeição, até mesmo uma família formada por um casal heterossexual há imperfeição, porque toda família tem problemas; dicas de como homossexuais ainda não assumidos podem se assumir; entre tantos outros temas abordados em apenas 144 páginas.
Fica claro que o livro do Fabrício Viana é um rompimento de paradigmas com relação a tudo que gira em torno da homossexualidade, sendo indicado não só a homossexuais, mas também, a heterossexuais, tendo um texto gostoso de ser lido e bem prazeroso, com uma literatura simples e que flui muito bem.

Fragmentos que eu mais gostei do livro...

"Beijar aquela boca, sentir aquela barba rasa ao meu rosto era tudo o que mais desejava" (p.25, VIANA, Fabrício).

"Tudo - resultado da homofobia internalizada, negativismo e baixa autoestima - conspira para que o mundo seja enxergado apenas de um prisma, o mais ruim possível - e somente para os homossexuais" (p. 81, VIANA, Fabrício).

"Quem não concorda com a homossexualidade, não repudia, não odeia, não tenta "curar" e não fala no assunto insistentemente" (p.86, VIANA, Fabrício).

"O homem pode chorar, ser fraco, ser frágil, expressar sentimentos e ainda ter uma boa relação com o seu feminino. E aprender que este feminino não é sinônimo de fraqueza. E nem sinônimo de bissexualidade e homossexualidade. Apenas uma harmonia de energias internas, masculinas e femininas, que compõem o ser humano e que não pode ser ignorados, combatidos ou reprimidos" (p.125, VIANA, Fabrício).


Se você quiser ainda me ouvir falar sobre o livro... Assista a minha resenha no Vlog Provocando a Escrita:


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4 comentários:

  1. Muito obrigado pelo vídeo e resenha. Ficou perfeito. Se por acaso tiver cadastro no Skoob, ficaria feliz se você copiasse e colasse lá também, na área de resenhas do O Armário. :-)

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    1. Oi, Fabrício, foi um prazer fazê-los! Disponha! E a resenha já está no Skoob!
      https://www.skoob.com.br/livro/resenhas/65008/edicao:71791

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  2. Muito bacanas a resenha e o vídeo. Parabéns.

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    1. Obrigado, Marcelo! Fico feliz que tenha gostado! ;)

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