sábado, 1 de abril de 2017

Desfalecimento da importância ambiental em prol do egocentrismo





“Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro. Mas, custam caro.” (Groucho Marx).
É a partir do pensamento hegemônico e conturbado da sociedade capitalista, baseada na exploração do proletariado e da venda dos bens de consumo a grandes empresas, que o desenvolvimento é pautado e muito (digo, muito) interpretado na contemporaneidade. Infelizmente, vivemos na Era em que a informação banaliza a coletividade, enquanto que ela deveria ser ponto favorável para o pensamento do bem da humanidade junto à natureza que nos cerca; pensar o egoísmo (egocentrismo, e vários dos –ismos que vemos por aí) de forma concordante subjaz uma cultura, a qual deveria estar sendo positiva para todos no planeta (talvez, quem diria, a famosa tolerância cultural não existisse; mas, sim, a aceitação orgânica e endógena do que se é).



“É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto de toco, é um pouco sozinho (...)

É o fundo do poço, é o fim do caminho

No rosto, o desgosto, é um pouco sozinho.” (Tom Jobim, Águas de março).



Será que o nosso desenvolvimento está nos levando ao que Tom Jobim revela em sua música de “É o fundo do poço”, ou ainda, “É o fim do caminho”?!. Temos uma grande reflexão a ser feita sobre o desenvolvimento que nos adormece. Estamos ausentes ou presentes dentro no que tange o assertivo de imposições do governo? O que é o governo dentro do caos do desenvolvimento entendido como panaceia de realizações individualistas?...

Segundo o autor Ignacy Sachs, o pensar os direitos humanos surgiu apenas pós-segunda-guerra-mundial, quando a caída do autoritarismo massacrante de Adolf Hittler (assista ao filme A queda, dirigido por Oliver Hirschbiegel) deu lugar à criação da ONU (Organização das Nações Unidas). No entanto, o pensar a conscientização ambiental é ainda mais recente, pois só começou a ser pensada quando se notou que o ser humano afetava com suas atividades e atitudes antropocêntricas a biosfera, e, que nela, utilizava em demasia dos recursos naturais para todos os processos de produção (sejam eles para a massa, ou para uso pessoal-individual) — contribuindo com a geração imensa de resíduos. A economia, então, passou a ser vista como uma ciência sombria.

Na conferência de Estocolmo foi estabelecido dois grupos de pessoas (ou duas ideologias ambientalistas — se é que podemos dizer que uma delas pensava no meio ambiente). A primeira era os que previam abundância, na qual desconsideravam as preocupações com o meio ambiente como algo importante — o crescimento econômico, industrial, era o foco. A segunda, os pessimistas, anunciavam um apocalipse caso o crescimento do consumo (um dos fatores) não fosse estagnado.

A perturbação ao meio ambiente era vista como uma consequência da explosão populacional (levando em conta a teoria Malthusiana), na qual revelava que a maioria pobre trazia mais prejuízos ao meio que os poucos ricos (uma ideia que deveria ser repensada e, quiçá, até refutada).

Conseguinte, foi necessário pleitear um pensamento intermediário, em que se precisava negociar o desenvolvimento com as propostas de estagnação da utilização dos recursos do meio ambiente. O Encontro de Founex teve esse intuito, o crescimento econômico não poderia parar, mas também não poderia afetar negativamente os recursos ambientais. O que é ressaltado pela UNESCO-MAB, “a conservação da biodiversidade deve estar em harmonia com as necessidades dos povos do ecossistema”. Sendo assim, há a necessidade de se adotar padrões de negociadores e contratuais de gestão da biodiversidade, para um aproveitamento racional e ecologicamente sustentável da natureza, satisfazendo um componente de estratégia do desenvolvimento.

Essa ideia de desenvolvimento que engessa o processo de proteção do meio ambiente contra os diversos danos que geramo-la, e aos possíveis métodos de amortigação, tende a nos tornarmos mimetizadores (em termos de países sulanos) das características hegemônicas de conservação dos países ditos desenvolvidos (nortistas), em seu cume mais defeituoso, o pensar o planeta como sendo algo de interesse comum. Esquece-se das individualidades. Já se perguntaram o que os amazonenses, por exemplo, querem com uma hidrelétrica em suas terras?!... Já perguntaram às populações originárias se elas querem que modifiquem algo para o desenvolvimento que tanto se pleiteia em escala mundial?! Já perguntaram algo que importasse mais à coletividade do que à individualidade materialista e consensual da maioria dos donos do dinheiro?!... Bom, somos e vivemos em um ambiente egocêntrico demais para isso.

O homem/A mulher (independente de gênero — o ser humano) está tomando conta de tudo! Acreditar numa natureza virgem é utópico! Sim! Infelizmente! Atuamos de maneira cada vez mais severa, o que nos torna algozes demais pra esse planeta; mas, poucos notam isso.

Agnacy Sachs utiliza da economia de permanência para se referir a uma maneira de gerir os recursos naturais, em que visa a perenidade dos mesmos. É algo que tem uma proposta muito interessante, por fazer gancho com o Ecodesenvolvimento, por se tratar de uma estratégia de proteção às áreas ecologicamente valiosas.

Pensar em uma maneira de gerir os recursos naturais que seja eficiente e eficaz fora do pensamento de desenvolvimento antropocêntrico é necessário; repensar atitudes coletivas e individuais é importantíssimo no cenário que se forma como estanque do nosso processo histórico (dos diversos setores que compõem a nossa nação).



“Se o sujeito é constituído pelas coerções diversas em diversas relações a que está preso, se ele é formado de maneira que determinadas regras, determinados modos de pensar, agir e sentir são inscritos em sua formação mais fundamental enquanto sujeito, então as relações são líquidas e as pessoas firmam relações com essa liquidez (...)” (Zygman Bauman; site Colunas Tortas).



É o que acontece com a nossa sociedade, vive-se de liquefação. Todos nós estamos fadados a se utilizar de discursos que nos fazem cada vez mais desprezíveis diante o meio. Pensemos o que nos cerca; pensemos o que está por vir; pensemos o estado atual; pensemos se é possível termos um desenvolvimento, de fato, sustentável. Pensemos... um pouco mais.

Obrigado por ler até aqui!

Nenhum comentário:

Postar um comentário