quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Agradecido




Uma vida inteira para compreender a essência da humanidade. Uma vida constante, em subidas e descidas, em percalços e estanques bem construídos e eficazes. O que causava o ininterrupto. Uma deficiência de vitaminas (não especificadas); uma respiração ofegante e um custo energético além do normal para se manter em pé. Ou, até mesmo, deitado; mas, ainda, vivo.
Uma fresta que surgia da porta de entrada trazia consigo uma luz; uma luz que vinha do sol; do sol que irradiava o dia; e este dia poderia se tornar ainda muito especial a depender do quão fortes eram seus olhos marejados pela emoção da sua própria história. Era uma luz que poderia fortificá-lo (ou, contemplá-lo no caminho da sua morte - sua única audiência). Trazer à tona uma revanche de sensações e melações inesperadas dentro do coração de um ser que se encontrava tão sensível e, precisando naquele momento, de um pouco de compaixão. Estar sozinho num momento daqueles era pedir a si mesmo um pouco de compaixão - "O que a vida tinha feito comigo?".
Suas veias levantavam... Não se confundiam às artérias, que saltavam em compassos desenfreados. A pressão arterial subia (e tinha o prazer de se fazer paulatinamente, ocasionando o sofrimento aos poucos). Tornava-o enrubescido. Um sorriso de canto se fazia presente mesmo que um ataque cardíaco estivesse prestes a acontecer (era metódica a sua vida - do início ao fim). Ele gemia. O aperto no seu coração tornava-se frequente. Seu cenho se fechou imediatamente. 
A luz ainda penetrava em sua pele quase morta, enquanto ele se contorcia de dor. Seu riso de canto se desfazia em contraste à meticulosa e sagaz doença que lhe acometia o sangue; o vil dos líquidos; o veículo mais célere de todos os tempos. A evolução perfeita dentro dos animais "superiores".
Seu sangue já não circulava mais; tinha se escondido em placas de gordura. Sua vida como um todo havia se escondido (nada tinha sido mostrado). Desbotado. Havia se perdido na penumbra mais tênue e infantilizada. Havia se perdido para nunca mais voltar. Num labirinto de formas e reformas (só que jamais tinha encontrado a saída). É... esquecer de agradecer à vida; ao sol que penetra as frestas de nossas casas; de nossas monções; de nossos espíritos, é cair, é "penhescar", é morrer.

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