sábado, 2 de julho de 2016

Marionetes - que beleza está em jogo?


Tudo! Absolutamente tudo está intrinsecamente ligado à beleza. Nada! Absolutamente nada está desvinculada da imagem prévia que temos.

Quando me refiro à beleza, falo daquela que a mídia dita como ideal, daquela que todos querem ter, ou mesmo, tentam, incessantemente, nela chegar. A mídia tem a incrível capacidade de nos domesticar, e faz isso com uma maestria irreprodutível, uma ousadia às nossas próprias rédeas; ela vem, às vezes imperceptível, e nos domina dum jeito inaudível. 
Ao chegar nessa conclusão de que todos (inclusive eu) estamos acondicionados a uma esfera muito pequena que é ditada pelo que acham que é bonito, que ditam os caracteres pela gente e para a gente, percebo que isso reflete em todos os canais da nossa vida. Quando vamos a um petshop, por exemplo "comprar" um animal de estimação, automaticamente escolhemos aquele que parece ser mais robusto, mais bonito, aquele que, invariavelmente, tem uma "aparência agradável" - animais adoentados, com algum defeito aparente são excluídos da sociedade (podem até sentir pena, dó, mas a maioria não se sente capaz de amá-los como se fossem "sadios"). Somos manipulados a ver as coisas com os olhos que nos incumbem, não com os nossos próprios olhos. Somos induzidos a acreditar numa beleza que, pode ser, que nem exista; mas, estamos sempre buscando-na, a todo custo.
O mesmo fato pode ser transpassado quando escolhemos nosso parceiro sexual/amoroso. Sim. Nunca ouviu esse termo "parceiro sexual"?... Bom, em suma, é aquele que escolhemos para uma transa ou sexo rápida(o). Quem quer transar com alguém que tenha um dente torto? Um cabelo mal penteado? Que possua uma roupa rasgada? Que não esteja no mesmo nível social e econômico que o teu? Quem quer se relacionar (algo mais sério) com uma mulher ou um homem que não tenha uma "beleza tão expressiva fisicamente" quanto os modelos dos aplicativos/redes sociais que frequentamos todos os dias?... (os "mais feios" - termo usado apenas para o seu entendimento do texto - são excluídos da sociedade massivamente).
Você já se deu conta de que o grande amor da sua vida, aquele que o faria tremer as pernas, que o faria ter as famosas borboletas na barriga, possa ter passado desapercebido pelos seus olhos, e você mal ter tido a capacidade de tê-lo dado uma chance de conversa, porque ele, talvez, não esteja dentro dos padrões de beleza que foram estabelecidos por você e para você?... Bom, é um pergunta e/ou uma questão grande e bem complexa quando nos deparamos no quão grande é a discriminação das pessoas que, indignadamente, não entram nos padrões da sociedade. E, quando digo "padrões da sociedade", não me refiro, unica e exclusivamente, aos da beleza, mas também a todos àqueles que ditam as regras de como temos que nos comportar, de como temos que nos vestir, de como temos que agir e ser. Isso, para mim, é um modo de vida estático, marasmático, e cheio de depredações à autenticidade do ser; da verdadeira identidade que cada um (cada ser humano) carrega em seu perispírito. Insanidade. Pensar nesse engessamento, nesse prendimento, que faz com que as pessoas não sejam quem elas são, e que as fazem deixar de fazer as escolhas que as fariam, e que as tornariam, muito mais felizes, simplesmente porque elas não seriam bem aceitas numa sociedade que manipula o seu, o meu, o nosso próprio conceito de beleza e normalidade, é amedrontador - somos vítimas de nós mesmos, porque não agimos para mudar.
O que é ser normal? O que é ser bonito? - são questões que eu faço para você! É de fato o que todos acham?... Ser bonito é mesmo isso que você acha que é, ou você esconde seus desejos e gostos porque não quer ser "ridicularizado" por pessoas que têm conceitos fixos de beleza e normalidade?...
Essas são questões que ultrapassam a sensatez humana, são questões que nos perturbam porque sabemos que, bem lá no fundo, estamos sempre sendo rotulados, moldados como todos querem. Você já pensou na possibilidade de ter uma namorada ou namorado "mais feio" que você? Por que insistimos em dizer que algo é mais feio que outro? D'onde surgiu esses conceitos que estão tão impregnados e arraigados em nossa sociedade? Será mesmo que isso tudo faz parte da nossa cultura, ou ela foi drasticamente deturpada?
Sim, meus caros e minhas caras, somos alienados, nos taxamos, deixamos que os outros nos coordenem, que nos vistam, e que ajam por nós. Deixamos que todos falem e que determinem a nossa voz, o nosso modo de ser e estar. Os verbos ultimamente ditos são de suma importância e de uma complexidade muito grande, não são simples verbos, é válido repensarmos quem somos e o que estamos fazendo ou onde estamos, o que estamos pensando, e por que o fazemos e, ainda, por que razão não o praticamos d'outra maneira. Há muitas variáveis, há muita alienação e conduzimento, há muita crítica sobre tudo, mas há falta da crítica sobre nós mesmos, sobre o que somos e o que fazemos.

"Há pessoas que amam o poder, e outras que têm o pode de amar", isso foi dito uma vez por Bob Marley, e está completamente ligado às nossas escolhas quanto ao que queremos ser e o que estamos fazendo; será que estamos amando o poder que achamos que temos, ou temos o simples ato de amar alguém invariavelmente independente do que são e do que representam numa sociedade previamente organizada e com conceitos e normas já muito bem delimitados para nós?!... (somos marionetes).

E, você, o que acha da sua alienação?

Nenhum comentário:

Postar um comentário