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Quando foi que me esqueci dos LIMITES?

            

(Imagem gerada por IA. Acesso em: chatgpt.com)

            Quando foi que me esqueci dos LIMITES? A vida tem se mostrado aquém do esperado. Não é uma anedota, porém gostaria que fosse, como alguém com punhal, entrementes, praticamente me ataca toda vez que os sentimentos são expostos. Já passei por tantas coisas, que agora minha vida está monótona, chata, inconveniente, retrógrada. Sim, uma droga, viver de quase, nunca foi para mim. Logo eu, cheio de certezas sobre o que quero. Ah, espere, não é bem assim... No entanto, eu sei o que sinto, quando sinto.  Dias e dias, pareço sufocar; meu coração aperta muito. Ah, espere, o coração não aperta nada, mas meu cérebro o faz apertado. O miocárdio chega retorce, foge do bombeamento corriqueiro. As lágrimas estão aqui, ainda (ai, como eu odeio isso!), porque parece que eu não sou mais o mesmo. Quando foi que me esqueci dos LIMITES? 

            Lembro-me do dia que saímos, naquela noite, e meus sonhos me disseram que eu estava em um risco iminente, contudo, como teimoso e pouco me ouço, estive tentando, dando tudo de mim, e quando falo tudo, é porque é tudo mesmo, até o que eu não poderia dar. Volto à fatídica pergunta: quando foi que me esqueci dos LIMITES? Hoje, o que eu tenho? Nada. Nada, porque eu sempre estive nem aí para mim mesmo, aliás, quem poderia estar "aí" comigo? 

            Eu sou mesmo um mentecapto, foi o que eu lhe disse há dias, e eu sei que eu sou estúpido. Quem está lendo deve achar que sou maldoso com o outro, não, definitivamente não, querido(a), eu sou assim comigo mesmo! Sim, deveras ausência do amor próprio, que está tão em moda, e ao mesmo tempo tão necessário, quando realmente se é buscado. E, sabe o porquê? Eu não soube me proteger. Talvez essa experiência tenha me mostrado exatamente isso, que eu preciso me acautelar, me amparar, antes de entregar um coração descompassado a qualquer um, qualquer um que chegue em um rompante, e o deixe mais desajustado do que antes. Aliás, qualquer um sem uma proposta condizente com o meu mundo, com meus desejos, ou à minha intensidade. Quando foi que me esqueci dos LIMITES?

            Eu o havia amado, eu o havia desejado, eu havia visto beleza aonde poucos veem, aonde poucos querem estar, aonde poucos desejam permanecer; eu nunca fui valorizado como merecia. Eu merecia mais, eu merecia o mundo que tanto sonhei e nunca tive. A pessoa anterior já havia me destruído, e eu alimentei em mim a possibilidade de seguir com alguém que fez pior, e, pior, em tão pouco tempo. Não basta agora, eu questionar os caminhos que eu também escolhi, mas, acreditei em cada SIM que eu me permiti viver. Este parágrafo já não necessita mais da fatídica pergunta: "quando foi que me esqueci dos LIMITES?", porque ele por si só, responde muita coisa. 

            "E, agora eu quero voltar lá do céu...". Sim, eu não consigo mais dedicar músicas a quem nunca se predispôs a estar ao meu lado, e, sim, o coração machucado deseja matérias profundas, pervertidas. Ah, como foi difícil escrever sobre isso, como cada lágrima derramada, cada ausência sentida, cada brincadeira desvairada, cada mensagem apagada, cada ansiedade vivida; como cada despedida sem ida, teria certeza que nunca foi brincadeira, e muito menos os meus sentimentos o foram. 

            Diante disso, quando foi que me esqueci dos LIMITES? Será que ainda há tempo de reconstruí-los? Qual o caminho menos doloroso e custoso para isso? Há tantas questões no cérebro de um escritor, que a maioria da humanidade nunca entenderia; porque há respostas que nunca virão, nem mesmo de mim. Sei bem todos os meus erros e fraquezas, minhas negligências e renúncias; sim, eu também errei, errei mais que muita gente que sempre errou. Contudo, só se erra quem tenta, quem faz algo, quem arregaça as mangas, quem se permite viver, quem se opõe à mesmice. Eu sei que o fim é inevitável, e daqui alguns meses, eu estarei lendo essas palavras sem nem pensar mais no sentimento, porque tudo isso irá fragmentar, e cada fragmento estará tão distante, tão distante, que qualquer impasse será só mais uma incógnita irrelevante. 

            Para  o fim, quero que saiba que cada ação que tive havia propósito, propósito de acolhimento, de preservação, de amparo, do pouco amor que sobrou aqui dentro. Aliás, para que eu pudesse me proteger, pudesse voltar a respirar, pudesse finalmente olhar só para mim, sem pensar n'uma companhia chuvosa, dolorosa, e sem responsabilidade afetiva. Quando foi que me esqueci dos LIMITES? Eu nunca os esqueci, eu os negligenciei, e paguei muito caro por isso. Cada atitude minha foi a busca dos meus limites que deveriam estar presentes, antes de tudo isso, no início. Limites são extremamente necessários para que possamos nos proteger dos tantos chupins. Custo dizer, a coisa mais importante da nossa vida é o que carregamos na alma, e essa coisa precisa ser protegida, porque senão a gente a doa a quem nunca mereceu.


OBRIGADO POR LER ATÉ AQUI! :)


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