quinta-feira, 10 de março de 2016

Na varanda

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"Quero te ver mais forte". Disse-me ele, como se tudo o que tínhamos passado tivesse sido apenas um momento, um instante. Foi aí que eu delirei. Sonhei. Tive surtos fanáticos. Perdi-me. Era tudo tão escuro e sofrido. Uma angústia arrebatadora e caótica fazia-se em meu ser, que, aliás, eu mal sabia quem era. Tudo obscuro. Sem caminhos. Sem... Não havia nada.
Um copo de água foi pedido com o intuito de me tirar dessa eloquência de sentimentos estranhos, que eu mal pude perceber que véus me envolviam e eu estava já sendo tapado com manchas negras de frutífero holocausto. Terrível. É atormentador se perder em si mesmo; olhar para a vida e não notá-la; olhar o céu claro e ver escuridão estonteante. 
Estava em uma cadeira, daquelas de varanda, em que as mães ou avós (quem queiram) se sentam e ficam horas a fio comentando da vida alheia; eu ali permanecia, também horas a fio, mas, buscando dentro de mim energia e sagacidade para continuar dando um sorriso que fosse aos olhos de quem me amava. 
A morbidade era irresistível, o sangue nauseabundo e o gosto pisado do meu corpo davam-me a sensação de que dali à diante eu estaria em uma cova fechada, soterrado pelo mais vil dos solos. Não haveria transpiração, nem, muito menos, transmutação, evolução do meu ser.
Uma dúvida cruel sacava-me as entranhas e eu mesmo não sabia mais nada; nada que podia-me fazer, ser, ouvir, reagir; tudo tão estranho e sem cor - alguns albinos -, tudo preto... irredutível, insatisfeito... Eu sou o pior de mim, sou o pior que possa existir, e eu não sei o que fazer para ultrapassar o grau do melancolismo que é intrínseco e irredutivelmente único. De cada ser. 
Sei que um dia todas as coisas acabarão, por mais que eu esteja sentado vendo os gatos na varanda brincarem uns com os outros como se a vida fosse sim um mar de rosas (comumente dito), mas noto que o meu grau de evolução não subjaz a felicidade que os pequenos felinos sentem, eu tenho a maior capacidade de raciocínio e declínio dos meus pensamos; talvez eu ainda tenha controle de alguma coisa; mas a gente se engana tanto que pode ser que eu não tenha domínio de nada.

Obrigado por ler até aqui!! 

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