domingo, 25 de outubro de 2015

Conheça-te antes de sentir

* Texto baseado em experiências do próprio escritor* 

Você já se perguntou o que é o amor? Se já - olha -, deve ter sido no mínimo perturbador tentar chegar a uma resposta exata, não foi? Será que o amor é algo que conseguimos definir em palavras, ou até mesmo em gestos?... Bom, este texto não tem o intuito de definir o que é o amor, mas de te mostrar que precisamos nos conhecer muito bem antes de nos permitirmos a ter qualquer tipo de sentimento por alguém. Na verdade, temos que nos amar, de antemão.
Não há como você amar alguém ou qualquer coisa que seja (desde um simples objeto), se você não se gosta - não se acha suficiente para si mesmo. Quem diz isso não sou eu - um mero estudante universitário de Biologia -, mas sim, vários dos psicoterapeutas que habitam essa nossa vida tentando nos fazer ver como as coisas funcionam de fato na mente humana (já fiz algumas sessões de terapia). Todavia, por que devemos nos amar antes de tudo? Pense. Se você não gosta das suas atitudes, dos seus trejeitos, da maneira como fala, como se veste; se não gosta do seu sorriso, do seu corpo, da cor dos seus olhos, da sua pele; enfim, se você não se suporta e não vê em você motivos para se amar, para se gostar, não há a possibilidade de alguém  ver isso em você. O amor que sentimos por nós mesmos faz com que outras pessoas possam nos ver e senti-lo, chegando ao ponto de nos apreciar e nos apoiar na continuação da maneira como somos. Isso, na verdade, é a base para qualquer tipo de relacionamento saudável. Para que você seja autêntico num namoro, por exemplo, você precisa ser você mesmo, sem pouca ou nenhuma modificação do seu eu. Não há motivos de mudanças em um namoro quando você ama a pessoa que você é e permite ser amado (lógico que não quero dizer que você tem que ser narcisista - não é nesse ponto -, mas no âmbito da aceitação de como se é de fato). 
Mas, o que mais precisamos desenvolver para termos uma vida sentimental mais tranquila?... Precisamos ter em mente as coisas que nos agradam e as que não conseguimos nem tolerar. Sim, precisamos saber aquilo que gostamos e o que não gostamos, simplesmente para nos posicionarmos diante do relacionamento e sabermos impor limites. Um namoro se faz, normalmente, de duas pessoas (sim, falando em relacionamentos monogâmicos, mas vale para os poligâmicos, apesar de eu não ser adepto, ainda). As pessoas são diferentes, cada qual tem sua essência, seu modo de ver a vida, de ver a morte, de ver os diversos temas que nos rodeiam. Cada qual tem sua maneira de agir e de se posicionar diante de uma situação. É interessante, portanto, sabermos até que ponto a atitude produzida pelo nosso parceiro ou parceira nos agrada ou até que ponto ela nos desfavorece. Sendo, de fato, importante dizermos aquilo que achamos que nos perturba. Porém, o que fazer se algo não nos agrada? Acredito que temos alguns caminhos, um deles é o famoso respeito. A pessoa que está com você ela não deve mudar a sua forma de agir por você, se aquilo faz bem a ela, não há motivos para tentar isso, e você, mais do que nunca, precisa respeitá-la. Contudo, essa pessoa que tem uma atitude que te desagrada precisa entender que isso não te favorece, e isso precisa sim ser repensado, mas não mudado. E o casal, até aí, precisa pensar em uma só coisa, vale a pena continuar com alguém que não me agrada? É um tanto radical pensar dessa maneira, mas problemas simples, ou pequenas divergências de opiniões, geram brigas sérias. 
A chave para um relacionamento é se respeitar. Aceitar o outro com seus defeitos e saber por em evidências suas qualidades (precisamos entender que todos os seres humanos têm defeitos). Na verdade, quando se ama, os defeitos, muitas vezes, nem aparecem. Mas não vou querer conceitualizar amor, acho deveras aquém da minha compreensão, preciso viver mais para isso, apesar de já tê-lo sentido... acredito. (E também não é o foco desse texto).
Temos, portanto, que o autoconhecimento de ambos os indivíduos que compõem o casal é de extrema importância; o posicionamento, assim como, a capacidade de respeitar a pessoa que se ama, precisam ser protagonistas. Como também, ter confiança; não há como você criar uma história saudável sem confiar, que está totalmente atrelado ao fato de amar-se a si próprio, e conseguir ser suficiente consigo mesmo; saber ser feliz com você, sem precisar de um parceiro (a) para te trazer essa felicidade; o parceiro (a) vem para complementar a sua alegria - nunca para somar -, porque, pense, desde que há soma, você se tornará dependente daquela parte caso um dia ela venha a faltar. O amor de alguém serve para complementar o seu amor, para trazer coisas boas e saudáveis a sua vida, deixar você mais radiante e feliz, mas a sua felicidade é suficiente para o seu sustento e capacidade de encarar a vida sempre com um sorriso no rosto. Caso falte, você poderá até sentir falta do complemento, mas verá que ele não te pertencia e o que é seu, sempre esteve contigo.

E, você, o que acha? Você tem um relacionamento saudável? Diga nos comentários sua opinião! (Pode me corrigir, caso eu tenha falado alguma besteira, foi baseado em senso comum - de vida). 


Obrigado por ler até aqui!

2 comentários:

  1. Olá, Brunin
    Como todos os textos de vossa autoria que eu leio, esta impecável na minha humilde opinião. Há tempo que eu me faço essa reflexão sobre o que é o amor e o que seria a vir um relacionamento saudável. Hoje em dia tenho lá meus conceitos, porém tudo esta em constante mudança (glorifica de pé). Contudo, colocar em prática o amor próprio é dificílimo para a maioria dos indivíduos e eu me encaixo perfeitamente aqui, pois é uma luta diária. Agora... Quero trazer uma vertente que, não muito longe de ser amor próprio, é o cuidado com o nosso coração. Por muitas vezes estive apaixonado e me entreguei para pessoas erradas em circunstâncias que, na época, eu sabia que traria um risco enorme (as vezes eu até tinha certeza que ia dar ruim). Porém, como sempre, eu paguei pra ver! Emocional e impulsivo, louco pra sentir e se ferir, ver no que vai dar... Isso também é amor! É o ser ingênuo que tem coragem de ir desarmado e sem máscara nenhuma em busca do coração que deseja. Muitas noites mal dormidas ou até não dormidas, tudo por que você escolheu se entregar pra pessoa errada (mas que pra você é a certa). Ou seja, o que eu quero dizer é que não adianta querer ser tão autêntico ao ponto de se aventurar achando que as pessoas buscam/são da mesma maneira que você, que sentem intensamente como você. Apaixonar-se e deixar que o outro se apaixone por você, vai depender do quadro geral, é uma decisão sua. Ultimamente, eu tenho me encantando pelas pessoas e só, bloqueando desejos inúteis por pessoas que no fundo eu sei que não me trariam felicidade. Será que isso é amor próprio? ^_^

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    1. Eu agradeço o carinho e o comentário! É lógico que diante às minhas palavras surge o que dizemos da condição perfeita para um relacionamento saudável. Somos seres imperfeitos e estamos longe da perfeição, mas que às vezes é preciso buscar o equilíbrio. "É o ser ingênuo que tem coragem de ir desarmado e sem máscara nenhuma em busca do coração que deseja", essa sua citação, que diga-se de passagem, muito interessante, nos remete a uma só coisa, o ser humano ama e passa por qualquer situação de amor próprio para fazer-se sentir e se validar desse amor. O próprio amor é o nosso inimigo algoz que faz-nos perder-se na falta de amor de si mesmo. Este texto não vem trazer essa abordagem do que é o amor, mas ele com certeza nos remete às salas de um psicoterapeuta. Quanto a sua última questão, que acredito ser retórica, você está buscando o exercício do amor próprio, mas não da maneira mais correta; da maneira que te convém (talvez uma fuga do sofrimento por experiências passadas).

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